terça-feira, 14 de janeiro de 2014

transbordo saudade sua



Tem vezes que paro pra te observar. Tu já me pede meio desconfiado, o porquê olho tão fixo nos teus olhos tão sérios e misteriosos: quando olho pra ti me vem uma vida inteira pela frente.

Uma criança com teu sorriso correndo pela casa. Nossos cachorros correndo livres pelo pátio da casa, que contém nossas escovas juntas no banheiro, nossos sonhos caminhando lado a lado.

O teu humor me cativa, juntamente com teus braços largos que me espremem e que me sinto tão segura. Te abraço forte e logo esqueço que tenho compromissos a semana inteira, que no outro dia eu tenho que entrar num ônibus de volta pra casa, partir e fazer nossas almas se desencaixarem novamente. Acostumar na marra, com essa nossa rotina nada a favor dos nossos sentimentos.

Cada vez que a gente se desentende, eu penso no melhor modo de te dizer que eu sinto muito, por qualquer coisa que tenha feito você ficar desse jeito comigo. Porque me dói de verdade ficar sem teu carinho, sem tuas preocupações comigo. No final disso tudo eu só te peço: vem, fica, que eu tenho tanto amor aqui dentro, e esse amor todo vai na tua direção. Eu sei que é simples, mas é a nossa realidade. Já demos tantas voltas até nos encontrar de novo, que já não faz sentindo fazer cena e complicar.

Não vou negar que já pensei em desistir. Mas toda vez que isso me vem na cabeça, logo lembro, como se fosse hoje, das batidas aceleradas do meu coração e do modo como meu corpo tremia de nervosismo, quando ouvi pela primeira vez o ronco do teu carro seguido de um telefonema: “desce, que eu to aqui embaixo”.

Então eu esqueço e me desculpo, por um dia querer me afastar de ti e deixar de sentir tudo isso, que no fim transbordo saudade sua. Sem você não faz sentindo e se a vida soubesse o alívio que me traz o encaixe que a gente forma quando se abraça, ela não teria coragem de nos desgrudar por mais um dia. Te ver entrar pela porta sempre faz minha alma brilhar e tu nunca vem sozinho. Contigo tu trás o sorriso largo que tanto me encanta, o sossego que meu coração pede e a segurança que eu tanto preciso.

E eu peço baixinho: que o vento leve tudo, menos você.

Naiana Cescon Lemes