segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Deixo em ti, deixo em mim e deixo em todo o resto.



Eu demorei, demorei tanto e esqueci tanto e lembrei tantas outras vezes, mas consegui separar o que me angustia do que eu sinto.

Teve dias que fugi de ti como se fosse a última pessoa que eu queria ver no mundo. Tudo pra não te influenciar com meu humor, com as minhas dores, com meus choros incontroláveis. Eu não estava acostumada a me doar tanto assim e sei, isso passa por egoísmo. Mas não quero te ver transbordando de coisas minhas, da minha falta de futuro e pouca sorte. Não te aguentaria se te enchesse de mim tanto assim.


E eu te sinto e te olho, te aperto em mim pra sair de ti tudo que te coloquei até agora, tudo aquilo que não quero mas te passei sem querer. Aquela minha mania de respirar fundo demais, que me deixa sem vontade nenhuma de respirar mais uma vez e que te assusta, te assusta tanto. Aquele meu choro fácil quando te imagino longe de mim, onde eu não possa te tocar mais. Deixo a minha mania de tomar água, que virou quase um hábito teu me trazer um copo antes de dormir. Deixo também meu medo por insetos, minha mania de ti e todo o meu amor, minha saudade, minha vontade. Deixo em ti, deixo em mim e deixo em todo o resto que me toca, que me sente e que sabe que eu não saberia voltar e sentir diferente outra vez.

Voltar e evitar, não te olhar, não te sentir, sorrindo, chorando, entrando em mim pela primeira vez, segurando firme minha mão e abraçando apertado. Voltar e fazer diferente nunca fez parte dos meus planos. Aquele meu futuro estranho e sozinho que planejei tantos anos já não me cabe mais, ele sai de mim e evapora como se nunca tivesse me pertencido algum dia. E eu digo: te amo, e teimo eu que te amo. Isso tudo só pra ti me olhar com cara mansa e sorrir mais uma vez, meu amor.


Naiana Cescon Lemes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

é cansaço.



Não sei se te aproximo ou te afasto, só não espere explicação cada vez que respiro fundo demais. Não sei o que acontece, só sei que sufoca. Eu quase cansei de respirar.

Tenho minhas perturbações muito bem guardadas. Não quero te assustar com as coisas que me acompanham a anos, nem que tu faça parte disso porque eu sempre me virei sozinha, não posso simplesmente te incluir nisso agora, não posso contar contigo pra isso. Não se pode exigir ajuda de outros, quando tudo mora dentro de nós.

Tu me acalma, me faz bem, me cuida, me segura, me amolenga, me abraça forte e segura minha mão, fica do meu lado... Eu quero e espero de ti tudo isso e mais um pouco, só não quero precisão. Tenho medo disso e de todas as outras coisas que prendem as pessoas. Quando começam de mãos dadas caminhando juntos, e logo depois se sentem algemados, um carregando o outro.

Estou cansada das coisas que penso, não é discordância. Isso tudo é incomodo pra mim, não se encaixa com todos os planos que fiz, durante anos me alimentando de esperanças vazias, mesmo sabendo que isso tudo que pensava não era certeiro. Eu sei, tudo era mais simples quando eu parava um pouco com as pernas na janela e uma xícara de café na mão e colocava as ideias em ordem. Agora eu tenho que criá-las,  novas, limpas,  leves, pra que se encaixem comigo e eu consiga levantar a cabeça novamente.

 Isso que dá ser inquieta, não se contentar com as coisas cômodas. Me exijo movimento, de todos os lados da minha cabeça até a unha do meu pé, por isso canso, por isso durmo tanto. É cansaço, de pensar, de sentir coisas que não me cabem mais. Cansaço de parar e deixar que alguém me carregue um pouco.

Naiana Cescon Lemes.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

lugar comun.



Tem dias que desejo tanta liberdade que chego a querer ter asas. Ser pássaro de dia e coruja de noite. Sentir a brisa no meu corpo penoso, o movimento de braços modificados, conhecer esse mundo sem concreto, sem ruas, sem normas de trânsito, com um mistério que só a falta de luz nos trás.

Voar sem barreiras, sem multidões, não precisar parar para atravessar ruas... Ver tudo de cima e escolher pra onde se quer ir. Sozinha ou em bando, eu sempre me vejo solitárias em algumas partes. Sempre tive minha individualidade muito bem definida. Todos temos fases de ser de outros e outras de ser sozinhos.

Manter minhas asas batendo com a mente que tenho, ideias que não cabem em mim caberia num pássaro? Nosso tamanho interfere no tamanho de nossas ideias? As dúvidas que me movem agora, me movimentariam em corpo menor e com tanta liberdade?

Eu sei que eu voltaria! Pra ver os olhares aflitos e cansados pela espera, sempre uns mais que os outros. E depois me deitaria de alívio ou cansaço por conhecer algo que talvez nunca mais voltasse a enxergar novamente.

Naiana Cescon Lemes.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Você me faz tão bem.



Ando pensando menos ultimamente, procuro viver aquilo que me cabe. Quero que meu presente seja aquilo que eu sinto e desejo. E quando olho pra trás, vejo os dias que passei lutando por coisas que eu acreditava ser real, acreditava que eu pertencia aquilo tudo quando na verdade não passava de um refúgio muito bem disfarçado.

Olho a chuva escorrendo pelo vidro e quando o sol vem eu nem me dou o trabalho de abrir a janela. Dei vários tapas e escondi a mão, dormi horas por dia e pouquíssimas pela noite. Fugi de tanta gente que agora desejo com todas as minhas forças te desejar todos os dias. Esse meu desejo é seguro e sincero, tão puro que eu até ando estranhando isso tudo aqui dentro querendo sair e pertencer a outro alguém.

Eu sempre me expliquei, talvez fosse esse o problema, a barreira ou a peça chave que faltava. Explicava-me tanto pra mim mesma que esquecia de sentir. Sentir as pessoas do meu lado segurando a minha mão, do teu lado segurando a tua. Agora busco coisas tão simples como trechos de músicas que nos descrevam, busco meu tom mais suave pra te chamar de amor, tento ser o mais leve possível quando deslizo minha mão nas tuas costas e depois subo bem rápido pra te fazer cócegas, só pra ver aquele sorriso que tenho certeza que só eu vi até agora.

E quando chorei por ti pela primeira vez, que olhei pra cima e te vi me acompanhando não consegui segurar as 3 palavras que sempre tive medo e falta de sentimento pra dizer. Porque meu conceito de eu te amo tinha muito mais a ver com o tempo e convivência do que se sentir a vontade e ter segurança. Ontem quando começou a tocar Detonautas, ouvi tudo aquilo que eu tava querendo por pra fora a anos e não conseguia, não resisti e cantei junto olhando nos teus olhos: "Você me faz tão bem."

Naiana Cescon Lemes.