quinta-feira, 29 de julho de 2010

quando comecei a sentir -|-



Sempre que tiver que lembrar de alguém enquanto escuto uma música, vou escolher a Off He Goes do Pearl Jam, me trás memórias de cabelos compridos e xícaras verdes com café sem açúcar. Não sei se te contei, mas tu foi o primeiro guri que me fez sentir. Sentir falta, sentir vontade de aproximação e contato.


Falando assim, até parece que foi ontem que eu estava lá com 13 anos, não sabendo se aquilo que eu sentia era normal. Com cara de assustada por não saber como agir, me perguntando se sentimentos assim sumiriam ou permaneciam na vida das pessoas, querendo saber se o que eu sentia seria correspondido e se aquilo tudo dentro de mim era adequado a minha idade. Se era normal querer se aproximar e saber mais sobre alguém.

Era tão diferente dos tantos que já havia visto, fugia do padrão cabelinho com gel que eu via por aqui todos os dias, por ser tímido tinha um ar de mistério. Eu queria te tocar, queria te olhar de perto, passar mão no teu rosto e sentir cada linha dele, queria decorar as curvas que teu rosto fazia enquanto sorria. Mas eu ficava lá sentada, te observando em cada movimento todas as tardes que te vi. Eu era descabelada e insegura, não muito diferente de hoje. Naquele tempo sentia-me envergonhada por não saber o que era aquilo tudo que alguém estava causando dentro de mim.


Conversamos sobre música, livros e inseguranças, anos depois. Depois que eu já havia aprendido que isso que sentimos sobre algumas pessoas pesa no corpo inteiro e alguns nos deixam marcas, que não devemos tentar achar explicações pra tudo e que algumas pessoas não merecem isso tudo que colocamos em cima delas. Eu conversava contigo e via o quanto eu havia mudado, o quanto aquele sentimento inocente que senti por ti pela primeira vez na minha vida havia modificado quem eu era. E tu me fez voltar no tempo, pros meus 13 anos, que eu não sabia nem lidar com o meu cabelo direito.


Me orgulho por ter sentindo isso tudo por ti, por ter sido assim sem muito contato, por ter tido a inocência de um início, tu não sabe o quanto cresci por sentir o que não devia tão cedo. Gosto de lembrar de ti dessa maneira. Não fomos próximos fisicamente, mas perdi a conta das tantas noites que passei conversando e desabafando contigo. Sinto muito por termos nos afastado, mas sei que não foi culpa nossa e sim das nossas escolhas. Sei que ainda vou te ver muito bem e que o dia em que nos encontrarmos não vamos marcar lugares, tu se destaca, só preciso te olhar.


Tem dias que tenho vontade de tentar ligar para aquele velho número que tenho na minha lista, talvez tentar em vão, vou criar coragem e depois farei isso nem que seja pra escutar a gravação da operadora dizendo que esse número não existe mais, e se ela me disser isso eu vou responder, vou dizer que ele já existiu muito e que pra mim ele ainda acabou. Que as coisas não acabam assim!


Naiana Cescon Lemes

sexta-feira, 23 de julho de 2010

efeitos



Ultimamente não sei mais das fontes, já não consigo descrever de onde vem a origem das minhas alegrias repentinas e nem dos meus desânimos, do riso de manhã cedo quando acordo, da música que escolho antes de deitar e das pessoas que tenho criado afinidades.

Gostaria de beber a água dos meus poços novamente, aqueles que ficam dentro de mim. Alguns devem até ter dengue de tanta água acumulada sem movimento nenhum, sem ser lembrado ou raramente mexidos. Tenho outros mais movimentados, mais atrativos, não os chamo de poços brancos como são conhecidos, e sim de cinza, isso mesmo, um dos meus poços é cinza com branco. Gosto de cinza,  simboliza muita coisa.


Já não sei mais o significado da chuva, antes achava um saco. Agora ela vem pra me mostrar os vários tons de cinzas e cores dos seus dias. O cinza mais escuro que fica o asfalto molhado, o verde musgo que fica a grama e o marrom mais escuro de barro molhado, a cor que fica as pombas pousadas nos fios, meu tênis branco encardido... Ela vem pra mudar todas as cores, modifica tudo o que toca, e a cor da chuva é linda. Se não bastasse a visão modificada ela ainda me faz desejar Coldplay e uma companhia. Uma manta, uma luva, uma bota, um casaco mais grosso invés da minha boa e velha jaqueta preta com botons do lado esquerdo.


Não sei que graça acho no sorriso inocente, nas cantadas tão diretas e ao mesmo tempo sem jeito. Talvez seja só carência. Enquanto um tem confiança e humor, o outro se fecha no mundo que criou e nem dá sinal de vida. Agora me pergunto por que sempre faço a escolha mais difícil, o caminho mais longo. O mistério é uns dos teus elementos mais fortes e uns dos meus favoritos, por isso me atrai, sou curiosa, não poderia ter escolhido uma característica mais atrativa do que essa. Eu gosto do jeito que me sinto, da sensação que preenche meus dias. Só espero que isso que eu sinto dure mais que uma semana.


E isso tudo é inverno, é o efeito que ele me causa, é as novas cores que ele dá ao meu mundo, a nova rotina que me prega,  a nova temperatura do meu corpo. Me faz ter um olhar mais profundo, me faz desejar, ver além do vejo. Algumas coisas defino como efeito do inverno e outras continuo a não entender e nem querer, pra que eu continue a achar graça na vida, não me imagino sabendo de tudo, explicando todas as minhas escolhas e sensações, afinal de contas não sei o que seria das pessoas sem o interesse, a atração e a imaginação que se movimenta em todas as estações.

Naiana Cescon Lemes

domingo, 18 de julho de 2010

com todos os olhos




Eu reclamo, faço pouco do "caso". Digo que não quero e nego se for preciso. Não assumiria assim tão facilmente e me orgulho por isso. Eu te vejo de todos os ângulos e com todos os olhos, até com o que eu não tenho, pode ter certeza.

Tem gente que nesse estado só enxerga o lado bom, o cabelo arrumadinho, o tênis limpo, a camisa passada. E eu lá quero saber disso... Quero mais é te ver descabelado, de meia e de camisa aberta, passada ou não isso não faz a menor importância. Gosto do jeito que encaixa o abraço meio solto, do sorriso amarelo e o cabelo bagunçado. O disfarce do beijo de lado funciona, até agora ninguém desconfiou de nada mais profundo, nem mesmo nós!

Sempre tem os prós e os contras. Os vai ou raxa. Oito ou oitenta. Às vezes é o extremismo que move e paralisa as pessoas. Não sei usá-lo com frequência, me falta segurança e atitude. Mas as partes que me convém eu faço como posso, como acho que devo. Mesmo quando me sinto imóvel, sem movimento algum, estou andando o mais rápido que posso, mas não vou acelerar demais as coisas, pra não me arrepender depois de não ter visto o caminho com calma e beleza. Com leveza e força.

Naiana Cescon Lemes



quinta-feira, 1 de julho de 2010

eu ainda nem comecei



Decisões são complicadas, significativas, individuais. São coisas deixadas de um lado e esperanças do outro. Tomei minha decisão, moldei meus sentimentos e direcionei meu pensamento. Hoje vi conquistas, vi sorrisos, vi sonhos se realizando e eles não eram meus, vi comemorações e a minha mente automaticamente repensou!

Eu tenho em mim todos esses anos, não tenham dúvidas. O que me foi significativo vai comigo! Não vou fazer o que não me convém, não tenho interesse, minhas inteligências múltiplas não se encaixam com isso.
(viu, pra alguma coisa me serviu, agora sei que cada um faz o que lhe é favorável ;)

Tem dias que perco a força, parece que ela não vive mais em mim, que foi apagada com baldinhos de águas alheias. As pessoas são influentes, em grandes partes. Mas as coisas vêm e quando a gente menos imagina (como de manhã cedo) chega o ânimo e a vontade desaparecida. "e aí o desgosto se vai".

Eu senti todos os olhares de reprovações, ouvi todos os: "fraca!" ditos mentalmente em cada olhar que me deram. Não posso perder meu foco pra me concentrar nos pensamentos dos outros, por isso aceitei com calma o que todos pensaram ao meu respeito como: "ela não termina o que começou". Mas o que vocês não lembram é que eu comecei pela metade, meu início foi um meio, nunca foi um começo, isso significa que o meu fim também vai ser um meio fim. Todos nós temos ele na hora certa, e o meu termina agora, pra que eu possa começar. Porque eu não vou correr atrás do que eu não quero!

Naiana Cescon Lemes