quarta-feira, 24 de março de 2010

pra te contar



Queria te encontrar, por acaso ou por vontade mesmo. Pra dizer que te esperei voltar nesses últimos anos. Pra mostrar que minhas unhas cresceram e meus cabelos encurtaram. Pra ti ver que o meu bom e velho rock continua sendo o meu gosto musical, só que bem mais aprofundado. Te encontrar pra te dizer que a minha fase de usar preto mudou pro branco e que tenho dois esmaltes rosa,  mesmo que tu não acredite. Mostrar que as minhas vontades e manias já são outras a muito tempo, e que já não teimo como antes.

Queria te encontrar o mesmo: com o cabelo comprido, magrelo e sorridente. Te dizer que agora eu saio quando eu tenho vontade e que o meu quarto já não é mais como antes. Contar que sou apaixonada por fotografia e que não imagino minha vida sem isso. Que fui atropelada, que o meu joelho esquerdo tem uma marca horrível, meu crânio rachou e agora toda vez que chove minha cabeça dói.

Te contar de quantas pessoas me disseram: "tu vai se arrepender" quando terminamos.  O frio continua me cativando e hoje tomei banho de chuva. Queria te mostrar minha tatuagem e dizer o que ela significa pra mim. Falar também que no nosso tempo eu não sabia namorar e que continuo não sabendo. Mas que sei organizar palavras na minha cabeça e não fico sem um livro no bidê. Aprendi um pouco mais de teclado e a ter equilíbrio, mas ainda continuo ligando o ventilador só pra poder me cobrir e entrando em comunidades estranhas.

Contar que estou no 4° ano do magistério e pretendo fazer o estágio daqui 4 meses. Falar que eu ainda odeio com todas as raivas o meu nariz e me sinto insegura com isso.  Queria te contar que a minha melhor amiga engravidou e que eu sou dinda e me sinto sozinha com isso. Que ainda falo com a tua mãe por msn e que nunca mais fiz pão de queijo. Te convidar pra tomar uma café e dizer que adoraria ouvir contigo mais uma vez a Black do Pearl Jam. Dizer também que eu odiava as tuas calças largas mas que as estampas das tuas camisetas eram legais. Que eu adorava fazer penteados em ti e que ainda tenho o teu desenho de carro. Queria que tu soubesse que teu ciúme me sufocava mas me trazia segurança, e que eu ainda lembro do som da tua risada e dos teus dedos roídos como se tu estivesse do meu lado. Queria tanto dizer, que hoje eu tenho orgulho de ter namorado contigo e pedir desculpas por ter sido tão racional contigo.

Naiana Cescon Lemes  

terça-feira, 23 de março de 2010

escrevo


Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém.
Provavelmente a minha própria vida.
Entre devaneios e turvas visões da realidade, eu escrevo. Escrevo, porque a mão inquieta anseia por fazer desenhos do que sou e do que espero ser. Escrevo, porque o meu coração é envolto por duro gelo, mas por dentro ele queima, bate em um furacão de sentimentos e sente além do que o corpo pode passar. Escrevo para libertar-me do frio e mergulhar de vez na beleza da escuridão que não me dá certezas, mas me dá as dúvidas que construirão a intensidade de uma vida.

Clarice Lispector

quarta-feira, 10 de março de 2010

vai além


Há tanto tempo não escrevo assim... no contato com a caneta. Já não lembrava mais de como é lento quando não se tem mais o hábito. E a quantos outros tempos eu andei fazendo um desapego na minha cabeça, pra agora sim ver como me saio na prática. Acho até que caiu na pessoa certa, afinal de contas desapegos são bem melhores que apegos, e eu que o diga. Tanto tempo que não escrevo sobre mim, sobre o que sinto, sobre a música que esscuto ou sobre o café que me sustenta. Tanto que já nem lembrava mais como é organizar palavras para serem colocadas pra fora. Já fazia tempo que não saia nada daqui, que até me acostumei com esses movimentos aqui dentro e essa calmaria aqui fora. Aos poucos tudo vai voltando ao normal, os hábitos, os gostos, as fotos. Eu não deixei de fazer nada, a única diferença é que agora não estou mais acompanhada.
E essa insônia hein? A quatro meses que eu não sabia o que era isso. Dormia em qaulquer canto, era só me encostar. Ando fingindo tão bem, que vai além do fingimento, vai além do John, além da xícara e bem mais além da Rush of Blood to the Head.

Naiana Cescon Lemes  

domingo, 7 de março de 2010

ansiedade


desenho: por Rafaell Alves


Nesse momento e nessas minhas fases que não são poucas vividas ao mesmo tempo, posso dizer que sou uma pessoa que vive o momento. Não posso negar que também penso no futuro, também não posso deixar de desejar que esse ano voe, pedir também que não econtre nuvens tão carregadas.. não o sufuciente para que pare de voar. Não estou me sentindo satisfeita, por isso penso e pensamos no futuro. Desejamos um melhor, quase sempre. Pra mim tudo está curto, daqui algumas semanas minhas unhas crescem novamente e daqui alguns meses meus cabelos também, mas aí que me pergunto se depois disso encontrarei outras coisas curtas pra me preencher o tempo. Não quero perder a essência dos meus dias por ansiedade do ano seguinte, mas quero que julho/dezembro passe rápido e leve pra que eu não tenha nehuma sequela momentanea, pra que eu não tenha incertezas quando eu mais precisar saber o que eu quero, que eu tenha um pouco mais de juízo quando minha liberdade for realmente minha e ser um pouco mais emocional em alguns aspectos. E essa ansiedade toda não tem outro nome nem camuflagens, é apenas uma ansiedade. Pra mim que sempre concordarei que tranquilidade e equilíbrio são essencias, muitas vezes quero fazer fumaça sem fogo nenhum. Só pra mexer um pouco por dentro e por fora. Mudar a visão, usar outras citações.