sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

a tal da insegurança


Uma rotina estranha. Pessoas "chegadas" não sendo reconhecidas. Telefones que não tocam mais. Auto-cobrança. Desanimada eu sempre fui, mas insegurança e medo? de onde vem isso agora, quase na reta final. Medo de terminar algo que eu nunca quis começar. Medo do ano seguinte. Da falta da família, dos meus gatos, das minhas tardes, do meu quarto, da comida da mãe, das roupas lavadas, do pai dizendo: "Tchau, boa aula" de meio dia. Da mãe dizendo: "comprei sorvete de uva pra nos comer". Insegurança, muita. Vontades repentinas de jogar tudo pro alto e não fazer estágio, nem me estressar com planos e dizer bem alto que: eu serei sempre a que não nasceu pra isso.

As vezes me engasgam de tanto que seguro, que engulo a seco e não falo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

de você me lembro mais


Retornando, lembrando, sentindo o gosto de passado, aquele meu passado rápido e calmo. Só porque agora tenho esse café mais claro, essa música mais lenta, esse cabelo enrolado, unhas vermelhas e caneta sem frescura. Sentido falta, sentindo aquele apego desapegado por algo que já não toco a algum tempo, já não vejo o cabelo mexendo pelo vento, aqueles dedinhos ligeiros deslizando nas cordas de um violão que toca um blues tão envolvente quanto o olhar de alguem que sabe o que quer. Minha cabeça dizendo: um blues, um bluuues e agora parece que eu volto no tempo, que eu volto com aquele sentimento que eu estou guardando até aqui, até o pescoço da alma, aquela alma de anos atrás, de outras vidas, tão forte que te digo até hoje que tua marca de nascença do cotovelo esquerdo fui eu quem fez antes mesmo de tu nascer. Lá das nossas outras vidas, dos nosso outros olhares, das nossas outras caminhadas pelas neblinas frias de inverno.